o que é hiv/aids?

A Doença

Prevenção

Sinais e Sintomas

Diagnóstico

Tratamento

Vivendo com HIV/Aids

A Doença

HIV é o vírus da imunodeficiência que pode levar à Aids, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Diferentemente do que acontece com alguns outros vírus, o corpo humano não é capaz de eliminar o HIV, ou seja, uma vez adquirido, o vírus permanecerá no organismo a vida toda.O HIV se espalha através dos fluidos corporais e afeta, principalmente, células do sistema imune (sistema de defesa do organismo), chamadas CD4. Com o passar do tempo, o HIV pode destruir essas células de tal forma que o organismo se torna incapaz de lutar contra infecções e doenças em geral.Quando isso acontece, é sinal de que a infecção pelo HIV levou à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a Aids. Atualmente, não existe cura efetiva para o HIV, mas cientistas e autoridades mundiais trabalham arduamente para encontrá-la. Enquanto isso, com medicações apropriadas, o HIV pode ser controlado. O tratamento médico é chamado Antirretroviral (TARV), popularmente conhecido como “coquetel”. Ele pode prolongar a vida da maioria dos pacientes com HIV e diminuir a chance de transmissão para outros indivíduos.Antes da introdução do “coquetel”, em meados dos anos 90, as pessoas com HIV progrediam para Aids em poucos anos. Hoje em dia, o indivíduo diagnosticado com o vírus, se tratado antes do avanço da doença, apresenta expectativa de vida próxima do normal. O tratamento do HIV auxilia o paciente em todos os estágios da doença e pode diminuir ou prevenir a progressão da mesma.

Prevenção

É imprescindível utilizar preservativo (camisinha) em todas as relações sexuais para prevenir a infecção pelo HIV e, assim, também proteger-se contra sífilis, hepatite e outras infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, nunca compartilhe agulhas ou seringas e evite o contato com objetos perfurocortantes não esterilizados. Atualmente, existe outra forma de prevenção, a PEP (Profilaxia Pós-exposição). A PEP é uma maneira emergencial de tratamento da infecção pelo HIV para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus recentemente, por meio de contato sexual (incluindo os casos de violência) ou decorrente de algum acidente envolvendo material contaminado no ambiente profissional de saúde.

Sinais e Sintomas

Quando não tratado, o HIV é quase que invariavelmente fatal, pois ele destrói o Sistema Imune, resultando na Aids. Os estágios de progressão do vírus são três:

1 - Infecção Aguda

Geralmente, dentro de 2 a 4 semanas após a infecção, o indivíduo pode sentir mal-estar, com sintomas semelhantes aos de um quadro gripal ou viral. Chamada de resposta aguda ao HIV ou infecção primária, essa é a reação normal do corpo à presença do vírus, porém nem todos desenvolvem os sintomas agudos. Por não apresentarem qualquer sinal de contaminação ou por confundirem os sintomas descritos com os de uma gripe, muitos não percebem que podem ter o HIV, mas durante esse período uma grande quantidade de HIV é produzida no corpo. O vírus usa células importantes do sistema imunológico – linfócitos CD4 - para replicar suas próprias cópias. Nesse processo, muitas células CD4 são destruídas, sua contagem pode cair rapidamente e o paciente apresentar sintomas de imunodeficiência, como, por exemplo: candidose oral, herpes e pneumonias graves. Uma pessoa com HIV pode transmitir o vírus em todos os estágios da doença, mas a capacidade do paciente transmitir o HIV nessa fase é maior, devido à grande quantidade de vírus (carga viral) na corrente sanguínea. Com o passar do tempo, na maioria dos casos, o sistema imunológico consegue diminuir a quantidade de vírus no corpo a níveis estáveis. Nesse momento, a contagem das células CD4 começa a aumentar, mas, geralmente, não retorna aos níveis da pré-infecção.

2 - Latência Clínica (Inatividade)

Esse período é chamado de infecção assintomática pelo HIV ou infecção crônica. Durante essa fase, o HIV está ativo, mas em níveis baixos. O paciente pode não apresentar sintomas e nem adoecer nesse período. As pessoas que se encontram em tratamento antirretroviral (TARV) podem viver em latência clínica por muitas décadas. Para pacientes que não fazem o tratamento, esse período pode durar até uma década, porém, a maioria progride para a doença sintomática de forma mais rápida. É importante lembrar que o paciente ainda é capaz de transmitir o HIV durante esta fase, mesmo se ele estiver em tratamento antirretroviral, embora o risco diminua bastante. Da metade desse período até o final, a carga viral do paciente começa a aumentar e as células de defesa CD4 a cair. Quando isso acontece, o paciente pode apresentar sintomas da infecção pelo HIV, já que o sistema imunológico se torna fraco para proteger o paciente.

3 - Aids/Sida (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida)

Esse é o estágio da infecção pelo HIV que ocorre quando o sistema imunológico está dramaticamente comprometido. Nesse estágio, o paciente se torna vulnerável às infecções e tumores relacionados ao vírus, podendo contrair doenças chamadas oportunistas, como a pneumocistose, por exemplo. Quando a contagem de células CD4 cai abaixo de 350 células/mm³, considera-se que o quadro do paciente progrediu para Aids, mesmo que este não apresente qualquer sintoma da doença (contagens normais de CD4 ficam entre 500-1600 células/mm³). O paciente também pode ser diagnosticado com Aids se desenvolver uma ou mais doenças oportunistas, independente da contagem de CD4. Sem tratamento, os pacientes diagnosticados com Aids geralmente sobrevivem de três a cinco anos. Uma vez que o paciente apresente uma doença oportunista grave, a expectativa de vida sem tratamento cai para um ano. Pacientes com AIDS necessitam de tratamento médico para evitarem o óbito!

Diagnóstico

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito por meio de testes, realizados a partir da coleta de uma amostra de sangue. Esses testes podem ser realizados em unidades básicas de saúde, em Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e em laboratórios particulares. Nos CTA, um teste rápido pode ser feito de forma anônima e gratuita. Os tipos de teste para o diagnóstico da infecção pelo HIV são divididos em 2 grupos: os testes de triagem e os testes confirmatórios.

Testes de triagem

1. Testes Elisa

Essa técnica é amplamente utilizada como teste inicial para detecção de anticorpos contra o HIV no sangue do paciente, podendo ser realizada com um grande número de amostras ao mesmo tempo. Se uma amostra apresentar resultado negativo no teste Elisa, esse resultado é fornecido para o paciente, acompanhado do aconselhamento pós-teste. Caso uma amostra apresente resultado positivo nesse teste, é necessária a realização de outros testes adicionais, denominados testes confirmatórios.

Testes confirmatórios

1. Teste de Imunofluorescência Indireta (IFI) para o HIV-1

Esse teste permite a detecção de anticorpos contra o HIV. No entanto, somente é utilizado quando a amostra de sangue do paciente apresentar resultado positivo no teste Elisa. Para a sua realização, utiliza-se uma lâmina de vidro que contém células infectadas com o HIV fixadas nas cavidades onde o soro ou plasma do paciente é adicionado.

2. Teste Western blot (W. blot)

O western blot também é um teste confirmatório que detecta anticorpos contra o HIV. Assim, só é realizado quando a amostra de sangue do paciente apresentar resultado positivo no teste Elisa. Para sua realização, utiliza-se uma tira de nitrocelulose que contém algumas proteínas do HIV fixadas. O soro ou plasma do paciente é então adicionado, ficando em contato com a tira de nitrocelulose.

3. Testes Rápidos anti-HIV

Os testes rápidos permitem a detecção de anticorpos contra o HIV, presentes na amostra de sangue do paciente, em um tempo inferior a 30 minutos. Por isso, podem ser realizados durante a consulta. Em um mesmo momento, o paciente recebe o aconselhamento pré-teste, realiza o exame, tem conhecimento do resultado e já recebe o aconselhamento pós-teste, não havendo necessidade do exame de triagem. Os Testes Rápidos são distribuídos gratuitamente para serviços de saúde da rede pública em todo o país, incluindo um grande número de maternidades.

4. Teste de PCR (Polimerase chain reaction) quantitativo para o vírus HIV

O PCR não é utilizado rotineiramente como teste diagnóstico para a infecção pelo HIV. No entanto, há casos especiais nos quais esta é a única metodologia possível para confirmar tal infecção. O princípio do teste é detectar o material genético do vírus HIV e a carga viral.

Tratamento

Após o diagnóstico da infecção pelo HIV, o paciente deve iniciar o acompanhamento médico. No início do acompanhamento, a saúde do paciente será investigada para avaliar as condições da defesa de seu organismo, a existência de doenças oportunistas e de doenças prévias como diabetes, pressão alta, problemas renais ou hepáticos, entre outros. O médico definirá a necessidade de iniciar medicações específicas para tratar o HIV - os antirretrovirais, também conhecidos por “coquetel” - e planejará o acompanhamento baseado nos resultados iniciais dos exames e na condição clínica do indivíduo infectado pelo vírus.

Coquetel para Tratamento

Para combater o HIV é necessário utilizar pelo menos três antirretrovirais combinados, sendo dois medicamentos de classes diferentes que poderão ser combinados em um só comprimido. O tratamento é complexo, necessita de acompanhamento médico para avaliar as adaptações do organismo, seus efeitos colaterais e as possíveis dificuldades em seguir corretamente as recomendações médicas, ou seja, aderir ao tratamento.

Classes de medicamentos antirretrovirais


Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa - atuam na enzima transcriptase reversa, incorporando-se à cadeia de DNA que o vírus cria. Tornam essa cadeia defeituosa, impedindo que o vírus se reproduza. São eles: Abacavir, Didanosina, Estavudina, Lamivudina, Tenofovir, Zidovudina e a combinação Lamivudina/Zidovudina.

Inibidores Não Nucleosídeos da Transcriptase Reversa - bloqueiam diretamente a ação da enzima e a multiplicação do vírus. São eles: Efavirenz, Nevirapina e Etravirina.

Inibidores de Protease – atuam na enzima protease, bloqueando sua ação e impedindo a produção de novas cópias de células infectadas com HIV. São eles: Atazanavir, Darunavir, Fosamprenavir, Indinavir, Lopinavir/r, Nelfinavir, Ritonavir, Saquinavir e Tipranavir.

Inibidores de fusão - impedem a entrada do vírus na célula e, por isso, ele não pode se reproduzir. É a Enfuvirtida.

Inibidores da Integrase – bloqueiam a atividade da enzima integrase, responsável pela inserção do DNA do HIV ao DNA humano (código genético da célula). Assim, inibe a replicação do vírus e sua capacidade de infectar novas células.

Vivendo com HIV/Aids

Devido à melhora na qualidade do tratamento, as pessoas com HIV agora vivem mais e com melhor qualidade de vida. Se você tem o diagnóstico de HIV, é importante fazer escolhas que o mantenham saudável e protejam os outros.

Fique saudável

É muito importante tomar as medicações conforme orientação médica. Não tomar as medicações corretamente pode diminuir a quantidade de células de defesa, as chamadas células CD4 e causar um aumento na quantidade de vírus circulante, a carga viral. Dessa forma, as medicações se tornam menos eficazes. Algumas pessoas usam o pretexto de não se sentirem bem como razão para suspenderem a medicação ou para não as tomarem conforme prescrito. Fale com seu médico e diga que você não está se sentindo bem com a medicação antes de suspendê-la por conta. Ele pode ajudá-lo a lidar com os efeitos adversos e você vai se sentir melhor com isso. Não pare de usar a medicação, sua saúde depende dela.

Fale sobre isso

É importante que seu parceiro(a) ou parceiros saibam que você é portador do HIV. Dessa forma, eles entenderão a importância de usar preservativos em todas as relações sexuais e de fazer o teste com maior frequência. As equipes de saúde (médico, enfermeiro, farmacêutico) podem ajudá-lo a informar ao seu parceiro sobre a soropositividade e orientar sobre os riscos de exposição, sobre as formas de prevenção e aconselhar para a testagem.

Não coloque sua vida em risco

O HIV se dissemina por meio dos fluidos corporais como sangue, sêmen, fluido vaginal e, ainda, a mãe pode passar HIV para seu bebê durante a gestação, durante o parto e pelo aleitamento materno. No Brasil, o HIV é mais comumente transmitido por meio da relação sexual anal/vaginal desprotegida e através do compartilhamento de agulhas. A carga viral pode variar de níveis indetectáveis a milhões de cópias por amostra. Quanto maior sua carga viral, maior o risco em disseminar o HIV aos outros. Proteja o seu parceiro(a) mantendo-se saudável e em tratamento regular. Tome todas as suas medicações e faça o teste para outras ISTs. Se você tem HIV e outra IST ou hepatites, por exemplo, você aumenta a chance de contaminar o parceiro em 3-5 vezes mais do que se tivesse somente o HIV. Sua carga viral (quantidade de vírus circulante) aumenta e o número de células CD4 (células de defesa) diminui quando há mais de uma infecção no organismo (coinfecção).